Existem tantas flores, de tantas formas, cores e temperamentos diferentes que se torna impossível falar de todas elas de uma só vez. Algumas são populares, outras são desconhecidas. Mas cada qual serve o seu propósito e tem direito ao seu lugar no mundo.
Temos por exemplo as margaridas, flores simples e selvagens, que não se adaptam à vida humana: rastejantes, basta-lhes o que a natureza lhes dá. Por outro lado temos as rosas, flores dependentes, até para nascer, da mãos dos Homens: talvez por isso se tornaram vaidosas e prepotentes. Vale-lhes o facto de cheirarem bem, ou toda a gente já estaria farta delas.
Temos flores para casamentos, que é o caso das flores de laranjeira, para os funerais temos os jasmins, e até temos flores para as revoluções: os cravos. Temos flores mentirosas, que é o caso das flores da amendoeira, que têm fama de terem enganado princesas, fazendo-as acreditar que as amendoeiras estavam cobertas de neve, em vez de flores. Temos flores independentes, como o caso das papoilas, que não suportam o facto de ser colhidas. Há as flores de secura, como os cardos, que talvez por nascerem em ambiente nefasto desenvolveram mau feitio, e arranjam toda a gente. Depois há os nenúfares, que não podem ser retirados da água, sempre boiando ao sol, incomodando quem quer falar com os peixes. Por fim, não nos podemos esquecer da rosela, e de outras mais como ela, que se alimentam de insectos, pouco precisando da natureza os regar: para sobreviver basta-lhes apenas uma joaninha despreocupada.
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